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O paraense Toninho Nascimento disse que quando eu fez a letra de “Conto de areia”, os versos iniciais eram: “É lua no mar / é maré cheia, ôi”. Ao musicar a letra, o Romildo mudou para “É água no mar / é maré cheia, ôi”. Eu expliquei pro Romildo que a maré fica cheia devido a proximidade da lua, e que Água no mar é redundância. Não adiantou, ficou "é água no mar", mesmo.

Clara Nunes gravou muita coisa sem importância até encontrar nos gêneros afro-brasileiros o rumo certo para a sua carreira. Então, cantando principalmente músicas de compositores ligados às raízes do samba, ela se tornaria a primeira cantora brasileira a ultrapassar cem mil discos vendidos, quebrando um tabu reverenciado pelas gravadoras. Tal façanha aconteceu com o elepê ‘Alvorecer’, lançado em junho de 74, que, tendo “Conto de areia” de Toninho Nascimento e Romildo Bastos, canção que fala dos mistérios e segredos guardados nas águas da Bahia (estação primeira da colônia Brasil) como faixa de maior sucesso. Vendeu 312 mil cópias.

Conto de areia inspirou novas incursões, que resultaram em sucessos como “O mar serenou” e “A Deusa dos orixás”. Mas, além dos sambas de raiz, Clara cultivava também em seu repertório canções de autores consagrados como Dorival Caymmi, Tom Jobim e Chico Buarque

Uma das melhores interpretações da eterna guerreira, “Conto de areia” é lembrado até hoje, e com justiça.

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